Desvendando o cálculo de LeBlanc na validação de limpeza

1
14512

O cálculo desenvolvido por Destin LeBlanc para determinar o limite de aceitação de resíduos para uma validação de limpeza ficou mundialmente conhecido e é amplamente utilizado pelas indústrias farmacêuticas.

Para quem nunca teve acesso ao cálculo na íntegra, aqui vai um resumo dos principais pontos deste estudo:    

Determinando o limite no produto subsequente (LSP – Limit in subsequent product)

calculo-le-blanc-validacao-de-limpeza

O ponto inicial para determinação do limite de aceitação é o quanto de resíduo de um produto poderá passar para o lote subsequente, após a limpeza de um determinado equipamento, sem que haja risco de contaminação a nível prejudicial para a saúde de um paciente.

Para o cálculo:

  • Qualquer princípio ativo pode estar presente no produto subsequente num nível máximo de 10 ppm.
  •  Qualquer princípio ativo pode ter no máximo de 1/1000 ppm da dose mínima diária dentro da dose máxima diária do produto subsequente.

Complicado?

Vamos ao desenho:

Rota de produção do equipamento em estudo (Produtos) ROTA

Onde: Produto A (mais crítico) – ativo de escolha da validação (análise de risco – pior caso)

Produto B – produto subsequente

L1ou LSP = Limite no produto subsequente (mcg/mL; mcg/g)

Fórmula:

 

 

Dose mínima do ativo pior caso – mcg/dia = Concentração do ativo A por dose unitária (mcg/g ou mcg/mL) x Quantidade por dose (g/dose ou mL/dose) x número mínimo de doses ao dia (dose/dia).

NOTA: caso deixe a mínima dose expressa em mg, não se esqueça de multiplicar por 1000 para transformar em mcg (microgramas).

Dose máxima do PRODUTO (e não do ativo) subsequente – g/dia; mL/dia = Quantidade por dose (g/dose ou mL/dose) x número máximo de doses ao dia (dose/dia).

Fator de Segurança segundo a via de administração mais crítica (do pior caso ou do pior subsequente).

FATOR DE SEGURANÇA

1/100 (0,01) da menor dose diária – Produtos tópicos (dérmicos).

1/1.000 (0,001) da menor dose diária – Produtos orais, inalatórios, vaginais e retais.

1/10.000 (0,0001) da menor dose diária – Produtos injetáveis, oftálmicos e imunossupressores.

Escolha do Limite Residual da Substância Ativa do Produto manipulado no Produto manipulado subsequente (LPPm):

Cálculo para determinação do limite Residual da Substância Ativa do Produto por área superficial (LAS ou L2)

Onde 1000 é o fator de conversão de Kg para g

LAS ou L2= Limite da área de superfície amostrada  

 

Limite na Análise da Amostra (LAA ou Cálculo para determinação do Limite Residual da Substância Ativa do Produto por Área   Amostrada (LAA ou L3)

Para o cálculo de LeBlanc na validação de limpeza será considerada a técnica direta de amostragem por swab. O limite será determinado através do cálculo abaixo que deverá ser aplicado para todos os possíveis produtos subsequentes, INCLUINDO O PIOR CASO:

No entanto, para a técnica de amostragem por rinsagem o cálculo é um pouco diferente:

Importante destacar que o método do pior caso deve ser sensível o suficiente para (LD e LQ do método menor que o critério de aceitação do limite de residual calculado) determinar de forma precisa o resultados das amostras de validação de limpeza.

Lembrando que o cálculo deve ser executado para o pior caso combinando todos os possíveis produtos subsequentes (produto B).

Entretanto, é possível facilitar o cálculo utilizando a estratégia de escolha do pior subsequente matemático:

Dessa forma, a escolha do pior subsequente matemático é determinada através da menor razão entre o tamanho lote e a maior dose terapêutica de cada produto/princípio ativo.

Talvez todos esses cálculos pareçam complicados em um primeiro momento, mas se tiver qualquer dúvida fique à vontade para nos contatar: contato@farmaceuticas.com.br

Abs,

Fernanda de Oliveira Bidoia

Artigo anteriorAnvisa mudará regras para nomes de medicamentos
Próximo artigoVaga Analista de Assuntos Regulatórios Pleno
Fernanda de Oliveira Bidoia
Formada em 2000 em Farmácia industrial pela Faculdades de Ciências Farmacêuticas Oswaldo Cruz, começou a atuar na área farmacêutica em 1998 com projetos científicos e em farmácia de manipulação. Em 2001 iniciou sua carreia em indústria farmacêutica, atuando nas áreas de Controle de Qualidade, Garantia e Gestão de Sistemas da Qualidade, Qualificação e Validação. Com experiência de mais 20 anos no setor, trabalhando em indústrias farmacêuticas nacionais e multinacionais, hoje realiza consultorias e treinamentos para indústrias de medicamentos, indústrias de cosméticos e saneantes, distribuidoras e montadoras de equipamentos da área farmacêutica. Empresária, consultora, blogueira, fundadora do Portal Farmacêuticas e da consultoria que leva o mesmo nome, esposa e mãe de duas filhas, tem como nova missão a criação de um portal, Farmacêuticas, voltado exclusivamente para o mundo farmacêutico, com dicas de projetos, eventos, cursos e notícias.

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui