Mudanças no Calendário de Vacinação de 2017

Mudanças no Calendário de Vacinação de 2017

Foi divulgado pelo Ministério da Saúde por meio da Nota Informativa n° 311 de 2016 o novo calendário de vacinação brasileiro para o ano de 2017.

A responsabilidade pela atualização do calendário e divulgação das alterações é do Programa Nacional de Imunizações (PNI), da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde.

O PNI, além de instituir o Calendário Nacional de Vacinação, adquire e distribui os imunobiológicos, definindo estratégias de vacinação para:

  • Crianças
  • Adolescentes
  • Adultos
  • Idosos
  • Povos indígenas

As vacinas são normalizadas em calendários de vacinação específicos para cada grupo.

Historicamente, diversos calendários de vacinação foram propostos em função de diferentes situações, tais como:

  1. Situação epidemiológica
  2. Mudanças nas indicações das vacinas
  3. Incorporação de novas vacinas.

Para o ano de 2017, foram divulgadas mudanças importantes no calendário de vacinação conforme descrito a seguir:

 

Calendário de Vacinação 2017

Vacina Quadrivalente Recombinante Contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) para Homens e Mulheres

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O que mudou para as mulheres?

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Esta vacina atua contra o vírus dos tipos 6, 11, 16 e 18, protegendo atualmente mulheres dos 9 aos 26 anos de idade  – que convivem com o HIV – contra câncer de colo útero, vagina e vulva. Esta inibe a manifestação de verrugas genitais, câncer anal ou lesões pré-cancerígenas vaginal, anal ou cervical. O esquema de imunização neste caso é de 3 doses. O início do ciclo que seria a dose 0, depois 2 e 6 meses de intervalo.

Para mulheres que não possuem AIDS, ocorreu a mudança de faixa etária para 14 anos. Ou seja, adolescentes com esta idade poderão ser vacinadas desde que ao tomarem a primeira dose, após 6 meses tenham completado 15 anos, onde irão receber a segunda dose da vacina.
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Os homens foram incluídos no calendário de imunização. Mas Porquê?

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O objetivo de introduzir a população masculina foi a de prevenir os cânceres de pênis e verrugas genitais. Além disso, os mesmos são transmissores dos vírus para as suas parceiras. Logo, colaborará para  a redução da incidência de cânceres de colo de útero e vulva na população feminina. Também ocorrerá a prevenção de cânceres de boca, orofaringe, e verrugas genitais em ambos os sexos.

Os homens serão imunizados na faixa etária de 12  e 13 anos, considerando o intervalo de 0 a 6 meses. No entanto, até 2020, esta faixa será ampliada até os 9 anos de idade.

Aqueles que convivem com a AIDS, a faixa etária  será de 9 a 26 anos. Estes receberão as doses como as mulheres, na dose 0, 2 e 6 meses após o início da imunização.

Veja a tabela abaixo como que ficou as imunizações para o HPV das populações feminina e masculina:

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De acordo com Programa Nacional de Imunizações (PNI) da Secretaria em saúde, do Ministério da Saúde, as alterações foram necessárias, pois nos países desenvolvidos a incidência de câncer de colo de útero tem diminuído consideravelmente com medidas preventivas. Porém,  as estatísticas por morte na população masculina causadas por câncer de boca, orofaringe e anal aumentam no mundo. Cânceres de boca e orofaringe são os mais comuns com 400.000 casos e 230.00 óbitos. E estes não faziam parte da campanha de prevenção. A previsão nos Estados Unidos é que o câncer de orofaringe supere o cervical até 2020.

Os imunodeprimidos são os que mais sofrem sem a prevenção. Há registros de que 3% a 10% dos casos, o vírus HPV pode persistir no organismo levando a sérios problemas de saúde, principalmente o subtipo 16.

Vacinação Meningocócica C Conjugada

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O que temos de alteração?

A incorporação de ambos os sexos da faixa etária de 12 a 13 anos. Na primeira vacinação de 2017, serão dados o reforço ou dose única conforme situação vacinal. Até 2020, a faixa será ampliada até 9 anos de idade.

Acompanhe a tabela abaixo e veja como ficaram as alterações:

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Porque desta alteração?

O PNI concluiu que a imunização de lactentes (3 doses de vacina) e crianças mais novas em idade pré-escolar (1 dose de vacina) não promove memória imunológica suficiente para combater a infecção meningocócica invasiva pela nasofaringe na adolescência. Esta conclusão se deu por estudos feitos entre 2004 e 2016 como podem consultar na bibliografia  da Nota Informativa 311/2016 do CGPNI/DEVIT/SVS/MS, disponível para download.

Espera-se com a inclusão do coorte de adolescentes, a incidência de meningite em populações já vacinadas entre em declínio, e promova a imunização da população adulta imunizada previamente ou não, diminuindo as taxas endêmicas da doença.

Agora o pulo do gato… já parou para pensar que a imunização da meningite e HPV terão o mesmo calendário e com as mesmas faixas etárias para os adolescentes?

De acordo com estudos publicado pelo Journal American Pediatrics Academy dos Estados Unidos, oferecer ao público alvo estas duas vacinas ao mesmo tempo, aumenta a adesão ao Calendário e eficácia de objetivos epidemiológicos.

Fonte

  • Nota Informativa 311/2016 do CGPNI/DEVIT/SVS/MS
  • Faça o download da Nota Informativa: Clique aqui

 

Farmacêutica graduada em Farmácia Industrial pela UFRJ, em 1998 e Pós-graduada em Docência Superior, pelo “Instituto A Vez do Mestre” - Filiada à Universidade Cândido Mendes, 2008. Pós-graduanda em Farmacologia Clínica e Prescrição Farmacêutica pelo Centro Universitário Celso Lisboa com formação prevista para 2018. Experiência em docência de farmacologia para alunos de curso técnico de enfermagem e atuante como propagandista médica na área de farmácia com manipulação, e como Farmacêutica gerente e responsável técnica na preparação de formulações sólidas em outra empresa do mesmo ramo. Experiência ampla, graças aos 14 anos dedicados a cuidar diretamente do paciente; oferecendo orientação farmacêutica, gestão de estoque, capacitação de balconistas quanto noções técnicas farmacêuticas e de farmacêuticos recém-contratados quanto à deontologia e captação de clientes. Fomentando valores, tais como: marketing e vendas e, em paralelo, o uso racional de medicamentos e conscientização da equipe de vendas como promotores de saúde. Iniciante na área de farmácia comunitária em 2002, tendo sido premiada em 2004 e 2011 como destaque na rede varejista Droga Raia onde atuava. Em 2017 findou-se a jornada em mais uma grande empresa varejista Drogarias Pacheco, onde atuava desde 2013 no mesmo segmento. Busca por aprimoramento contínuo, em uma área tímida, denominada Farmácia Clínica; onde os principais valores, como profissional dessa área, estão nas experiências compartilhadas com colegas, em palestras, experiências in loco com os pacientes e cursos que participo, me fazem cada vez mais desbravadora da profissão. Também, a leitura de novas informações em: farmacologia, sociologia, marketing, deontologia e farmacoeconomia, enriquece o meu saber. Como farmacêutica, estimuladora da arte de pensar e colunista da “farmacêuticas.com”, deixo uma citação, para retratar como nós farmacêuticos devemos nos reinventar, para sobreviver no mercado e, ao mesmo tempo, nunca - jamais e em tempo algum - esquecer da saúde e bem-estar de nossos pacientes. Conceitos arraigados em nosso código de ética. “A verdade é que os setores jamais ficam estacionados. Estão sempre em evolução. As operações tornam-se mais eficientes, os mercados se expandem e os atores chegam e vão embora." (A estratégia do Oceano Azul - como criar mercados novos e tornar a concorrência irrelevante - W.Chan Kim e Renée Maouborgne,- Rio de Janeiro: Elsevier, p.6, 2005).

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